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Rui Veloso
Rui VelosoMusician/band
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Rui Manuel Gaudêncio Veloso CvIH • ComIH (Lisboa, 30 de Julho de 1957) é um músico português .
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Musician/band
Eu sempre tive um amor especial desde miúdo pelo Zeca Afonso. 
Ouvia em casa o Menino do Bairro Negro e sentia me o próprio do menino, sendo eu um menino. 
O Zeca sempre me deixou uma impressão musical e lírica forte, no meu incerto percurso como músico sem saber música, essa que fui apanhando aos pedaços aqui e acolá, aos Zecas desta vida. Meia volta regresso aos discos dele. 
O dia em que o conheci, nos idos anos oitenta, não me esqueço onde jantámos, já não sei porquê, e da emoção que foi estar ao lado dele e conversar com aquele homem simples e suave. Confessei-lhe o prazer que tinha em estar com ele, o privilégio de estar a privar com ele e o Zeca fez me sentir quase como se fosse um par, sendo eu um quase nada. 
Uns 10 anos depois, jantei com o António Carlos Jobim, e senti a mesma franqueza, a mesma simplicidade genuína, o mesmo coração à vista. 
Vem isto a propósito de ter lido que a SPA propõe que o Zeca seja elevado ao Panteão. 
Ora eu sou sócio da SPA há 30 e tal anos (até fiz, ingloriamente, parte de uma direcção) e já lá foram parar uns quantos, bastantes, maravedis meus e do Carlos Tê, o que me dá alguma autoridade para poder expressar a minha opinião como músico membro e contribuinte da cooperativa. 
Recebi um mail da SPA dizendo que a mesma propõe o Zeca Afonso para o Panteão sendo que depois vi uma notícia dizendo que é uma ideia vinda do presidente da mesma. 
Ora como pode o senhor ter uma idéia e veiculá-la através do mail oficial da cooperativa como se fosse vinda dos seus representados sem a mínima consulta? Confunde-se o presidente com a própria SPA?? 
Eu, e muitos outros como eu, estamos boquiabertos.. 
E passar por cima da vontade expressa do Zeca, confirmado pela Zélia, de que não queria que, depois de morto, alguém lhe fizesse precisamente isso!? Com que direito? 
Desenterrar o Zeca é, no mínimo, uma ideia de muito mau gosto, na minha opinião. 
Ele está vivo naqueles que ainda amam a sua música e isso é o que provavelmente ele gostaria que acontecesse. 
Ouçam-se os discos! Melhor faria o presidente da SPA se se lembrasse de um movimento que houve há uns anos chamado, precisamente, Venham Mais Cinco. Lutámos muitos para que a rádio portuguesa passasse música nossa (por mim a 100%), a do Zeca incluída! 
E o que se passa ainda hoje? 
O
Eu sempre tive um amor especial desde miúdo pelo Zeca Afonso. Ouvia em casa o Menino do Bairro Negro e sentia me o próprio do menino, sendo eu um menino. O Zeca sempre me deixou uma impressão...ver mais +
Eu sempre tive um amor especial desde miúdo pelo Zeca Afonso. Ouvia em casa o Menino do Bairro Negro e sentia me o próprio do menino, sendo eu um menino. O Zeca sempre me deixou uma impressão musical e lírica forte, no meu incerto percurso como músico sem saber música, essa que fui apanhando aos pedaços aqui e acolá, aos Zecas desta vida. Meia volta regresso aos discos dele. O dia em que o conheci, nos idos anos oitenta, não me esqueço onde jantámos, já não sei porquê, e da emoção que foi estar ao lado dele e conversar com aquele homem simples e suave. Confessei-lhe o prazer que tinha em estar com ele, o privilégio de estar a privar com ele e o Zeca fez me sentir quase como se fosse um par, sendo eu um quase nada. Uns 10 anos depois, jantei com o António Carlos Jobim, e senti a mesma franqueza, a mesma simplicidade genuína, o mesmo coração à vista. Vem isto a propósito de ter lido que a SPA propõe que o Zeca seja elevado ao Panteão. Ora eu sou sócio da SPA há 30 e tal anos (até fiz, ingloriamente, parte de uma direcção) e já lá foram parar uns quantos, bastantes, maravedis meus e do Carlos Tê, o que me dá alguma autoridade para poder expressar a minha opinião como músico membro e contribuinte da cooperativa. Recebi um mail da SPA dizendo que a mesma propõe o Zeca Afonso para o Panteão sendo que depois vi uma notícia dizendo que é uma ideia vinda do presidente da mesma. Ora como pode o senhor ter uma idéia e veiculá-la através do mail oficial da cooperativa como se fosse vinda dos seus representados sem a mínima consulta? Confunde-se o presidente com a própria SPA?? Eu, e muitos outros como eu, estamos boquiabertos.. E passar por cima da vontade expressa do Zeca, confirmado pela Zélia, de que não queria que, depois de morto, alguém lhe fizesse precisamente isso!? Com que direito? Desenterrar o Zeca é, no mínimo, uma ideia de muito mau gosto, na minha opinião. Ele está vivo naqueles que ainda amam a sua música e isso é o que provavelmente ele gostaria que acontecesse. Ouçam-se os discos! Melhor faria o presidente da SPA se se lembrasse de um movimento que houve há uns anos chamado, precisamente, Venham Mais Cinco. Lutámos muitos para que a rádio portuguesa passasse música nossa (por mim a 100%), a do Zeca incluída! E o que se passa ainda hoje? O "Mestre" Letria e os seus cortesãos que ouçam a rádio pública, que, ao invés de divulgar a cultura, a música que se faz cá, serve para uma meia dúzia a utilizar como se lhe pertencesse e fazer dela um pasto de gostos pessoais, discriminando a seu bel prazer com a anu(l)ência, claro, das chefias, os verdadeiros (i)responsáveis. É ouvir um dia de programação e tirar conclusões, tentar perceber o que justifica ter uma rádio com uma audiência residual. Lembro-me, como exemplo, que há uns anos soube da existência de um programa semanal de fado em Espanha,que durava 1 hora. Aqui, na rádio pública, havia um diário de 5 minutos, do resistente Edgar Canelas... O espírito pouco mudou. O fado já não é discriminado porque é moda. E já cá estava na altura... Alguma vez se ouviu o presidente da SPA reclamar contra o facto de a Brigada, o Pedro Caldeira Cabral, os Gaiteiros, Rão Kyao (afinal todos da SPA...) só pra citar alguns dos excelentes músicos, compositores e autores que temos no nosso país, quase nunca terem lugar na nossa rádio pública? Contestar uma prática diária claramente discriminatória, em nome de uma música popular "alternativa"? Para meia dúzia? Não tem mais nada que fazer senão tentar chamar a atenção para si próprio (ver na revista Autores a sua Omnipresença) tentando elevar-se à condição de Indispensável, dando-se ao luxo de pressionar responsáveis do Estado, em nosso nome, insinuando cumplicidades com as instâncias superiores do Poder (e, quem sabe, um dia aspirar a um lugar em Sta Engracia..)? Para levar o Zeca ao Panteão? Para terminar, acho que fica muito mal invocar a luta pela liberdade (e o resto dos já tão puídos refrões) para alardear o seu militantismo, como se fosse o seu paladino e o resto de nós meros basbaques em adoração, seguindo a "visão" do mestre. Aqueles que caíram com o Muro também andaram décadas a martelar os mesmos refrões e o resultado está, ainda, à vista. E Zeca, que és de todos nós, descansa em paz.ver mais +
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